PERGUNTA

De acordo com sua investigação, quando, onde e por que o culto no Domingo se originou?

RESPOSTA

É difícil identificar a origem de festivais

É extremamente difícil identificar com precisão a data exata da origem de qualquer novo festival. Isso vale não só para o Domingo semanal, mas também para o Domingo de Páscoa, Natal, Epifania, etc. Estes festivais aparecem pela primeira vez em registros históricos depois de já terem sido introduzidos. Embora seja difícil determinar o lugar exato e a data da origem do Domingo, no curso de minha investigação encontrei indicações cumulativas, apontando para a Igreja de Roma como o lugar onde a mudança começou, aproximadamente um século depois da morte de Jesus, em algum momento durante o reinado do Imperador Adriano (117-138 d.C.).

Medidas repressivas anti-judaicas

Um fator importante que contribuiu para a mudança do Sábado para o Domingo foram as medidas repressivas extremas que Adriano adotou contra o Judaísmo em geral e a observância do Sábado em particular. Essas medidas foram adotadas por Adriano para conter a violenta insurreição judaica contra os romanos, alimentada pelo ressurgimento das expectativas messiânicas. Depois de suprimir a segunda grande revolta judaica palestina - nomeada conforme seu líder, a revolta de Bar Kochba - Adriano em 135 d.C. não apenas destruiu a cidade de Jerusalém e proibiu os judeus de entrar na cidade, mas também proibiu categoricamente a prática da religião judaica em geral e da guarda do Sábado em particular. Essas medidas foram projetadas para suprimir a religião judaica, que foi vista como a causa de todas as revoltas.

Medidas tomadas pela Igreja de Roma

As medidas repressivas adotada pelos romanos contra a prática da religião judaica encorajou a Igreja de Roma a esclarecer às autoridades imperiais a separação e distinção do Cristianismo em relação ao Judaísmo, alterando a data e a maneira de observância de dois festivais judaicos característicos: o Sábado e a Páscoa. O Sábado semanal foi mudado para o Domingo e a data da Páscoa foi transferida de 14 de nisã para o Domingo seguinte.

A motivação anti-judaica para essas mudanças é melhor expressa por Constantino em sua carta conciliar de Nicéia, onde ele exorta os cristãos a adotarem unanimemente a prática do Domingo de Páscoa defendida pela Igreja de Roma, a fim de “não ter nada em comum com a detestável multidão judaica … e evitar toda a participação na conduta perjura dos judeus.” [1]

Para promover o abandono da observância do Sábado e a adoção da guarda do Domingo, a Igreja de Roma adotou medidas teológicas, sociais e litúrgicas significativas.

Teologicamente, o Sábado foi reduzido de uma instituição divina universal para uma instituição mosaica, dada exclusivamente aos judeus como, para citar Justino Mártir, “uma marca para destacá-los para a punição que eles tão bem merecem por suas infidelidades.” [2]

Artigos Relacionados

Os Valdenses e a Guarda do Sábado Os Valdenses e a Guarda do Sábado
Os primeiros Valdenses foram membros de um movimento de reforma na Europa, especificamente nas...
Evidências da Observância do Sábado no Cristianismo Primitivo Evidências da Observância do Sábado no Cristianismo Primitivo
Tanto o Novo Testamento quanto a literatura cristã primitiva contêm indicações implícitas e...

Socialmente, a Igreja de Roma se esforçou para destruir o brilho festivo do Sábado, transformando o dia de um tempo de festa e celebração alegre em um tempo de jejum e tristeza.

Liturgicamente, o Sábado foi feito um dia não religioso, em que nenhuma Ceia do Senhor seria celebrada e nenhuma assembléia religiosa seria realizada.

A conclusão, então, da minha investigação é que a mudança do Sábado para o Domingo não ocorreu imediatamente após a morte de Jesus pela autoridade apostólica da Igreja de Jerusalém para comemorar a ressurreição de Cristo, mas começou cerca de um século após a morte de Cristo, durante o reinado do Imperador Adriano pela autoridade da Igreja de Roma.

A principal causa foi a repressão romana predominante do povo e da religião judaica. Essa condição tornou conveniente aos cristãos mostrar sua separação e diferenciação dos judeus e do Judaísmo, adotando um dia diferente de adoração. A conveniência, no entanto, não é um motivo legítimo para mudar um preceito divino. Jesus nunca ensinou seus seguidores a se sentirem livres para ignorar ou mudar seus mandamentos sempre que se tornasse difícil observá-los.

REFERÊNCIAS

[1] Eusébio, Life of Constantine 3, 18-19, Nicene and Post-Nicene Fathers (Grand Rapids, 1973), vol. 1, p. 525.

[2] Justino Mártir, Diálogo com Trifo, 23, 3; cf. 29, 3; 16, 1; 21, 1.


Traduzido a partir de Samuelle Bacchiocchi, The Sabbath In New Testament: Answers to Questions, p. 139-140, 2000.