Sábado, Dia de Descanso e Adoração

O sábado sagrado da Bíblia, o sétimo dia da semana, é tempo sagrado, um dom de Deus para todas as pessoas, instituído na criação, afirmado nos dez mandamentos e reafirmado no ensino e exemplo de Jesus e dos apóstolos.

Portanto, ninguém vos julgue pelo comer, ou pelo beber, ou por causa dos dias de festa, ou da lua nova, ou dos sábados, Que são sombras das coisas futuras, mas o corpo é de Cristo.

Colossenses 2:16-17 [1]

Colossenses 2:16-17 é uma das passagens do Novo Testamento mais difíceis de se interpretar. É também a passagem mais frequentemente usada contra a observância do Sábado. Walter Martin, um crítico do Sábado, escreveu: “À luz somente desta Escritura, eu afirmo que o argumento para a observância do Sábado desmorona.” [2] A noção de Martin de que uma doutrina bíblica pode entrar em colapso com base em um único texto é problemática. As doutrinas devem ser estabelecidas ou negadas em um estudo cuidadoso de tudo o que a Bíblia ensina sobre um determinado assunto, não em textos individuais. De qualquer forma, Colossenses 2:16-17 apresenta desafios exegéticos que, como sabatistas, precisamos enfrentar.

Há quem considere um dia mais sagrado que outro; há quem considere iguais todos os dias. Cada um deve estar plenamente convicto em sua própria mente. Aquele que considera um dia como especial, para o Senhor assim o faz. Aquele que come carne, come para o Senhor, pois dá graças a Deus; e aquele que se abstém, para o Senhor se abstém, e dá graças a Deus.

Romanos 14:5-6

O que Paulo quis dizer no texto acima, endereçado aos cristãos de Roma? Muitos citam esses versos como evidência de que os cristãos não estão mais sob a obrigação de guardar o Sábado, conforme ordenado por Deus no quarto mandamento (Êxodo 20:8-11). Argumenta-se que a questão do dia que guardamos (ou não) para Cristo não é de tanta importância; cada um deve estar bem firmado em sua opinião e não julgar quem pensa diferente. Será isso o que o apóstolo realmente quis dizer? 

Não! Iremos analisar dois pontos de vista possíveis sobre o significado do texto de Romanos 14:5-6.

Os primeiros Valdenses foram membros de um movimento de reforma na Europa, especificamente nas regiões alpinas da Espanha, França e Itália, durante a alta Idade Média. Considerados precursores da Reforma Protestante por vários historiadores [1], os Valdenses enfatizaram a importância de aderir estritamente aos ensinamentos da Bíblia como a única regra de fé.

Atos dos Apóstolos 20:7 afirma:

E no primeiro dia da semana, ajuntando-se os discípulos para partir o pão, Paulo, que havia de partir no dia seguinte, falava com eles; e prolongou a prática até à meia-noite.

Atos dos Apóstolos 20:7

Alega-se, a partir desse versículo, que a igreja cristã primitiva reunia-se no Domingo para estudar a Palavra de Deus e celebrar a santa ceia, em substituição ao Sábado do quarto mandamento (Êxodo 20:8-11). Será que o texto realmente afirma isso?

Eu fui arrebatado no Espírito no dia do Senhor, e ouvi detrás de mim uma grande voz, como de trombeta,

Apocalipse 1:10

Teólogos e pregadores Protestantes de um amplo espectro de denominações têm sido bastante sinceros ao admitir que não há autoridade bíblica para observar o domingo em lugar do sábado bíblico.

Na criação, a obra de Deus é selada com as palavras “Ele descansou” (Gênesis 2:3). Esta breve declaração é a chave para a compreensão de um conceito vital que nos une a Ele e à Sua criação. É o conceito do sábado. Deus não descansa da fadiga, mas em contentamento pela realização completada. Seu descanso não é inatividade, porque continua a cuidar do que cria. O Novo Testamento fala desse descanso quando Jesus “assentou-se”  após ter completado sua obra de redenção a fim de proporcionar a outros os benefícios de sua obra (Hebreus 8:1 Hebreus 10:12). Do mesmo modo, o Novo Testamento convida a todos os cristãos a fazerem esse descanso como parte de suas próprias vidas, e entrar nele pela fé em Cristo (Hebreus 4:1). Observar o sábado indica que toda a ordem criada reconheça que veio de Deus e pertence a Deus para sempre, o recipiente de Sua bênção. É por isso que as leis de Deus concernentes ao sábado jamais se confinaram a pessoas, mas incluíram explicitamente os animais e a própria terra. [...]

Quanto à coleta para os santos, fazei vós também como ordenei às igrejas da Galácia. No primeiro dia da semana, cada um de vós ponha de parte, em casa, conforme a sua prosperidade, e vá juntando, para que se não façam coletas quando eu for.

1 Coríntios 16:1-2

O Ellicott's Commentary for English Readers afirma que o texto acima aponta para o primeiro dia da semana como um tempo de "adoração distintamente cristã". O Jamieson-Fausset-Brown Bible Commentary declara que já se evidencia o Domingo como "sagrado pelos cristãos como o dia da ressurreição do Senhor". É verdade que tal texto do apóstolo Paulo comprova que o Domingo substituiu o Sábado como o verdadeiro dia bíblico do Senhor (Êxodo 20:8-11) na Igreja cristã primitiva?

Tanto o Novo Testamento quanto a literatura cristã primitiva contêm indicações implícitas e explícitas da existência da guarda do Sábado. Uma breve alusão será feita neste contexto às evidências mais significativas.

O Testemunho do Novo Testamento

A primeira indicação da guarda do Sábado nos vem do Novo Testamento. A cobertura incomum dada pelos evangelistas às curas e aos ensinamentos de Cristo no Sábado é indicativa da grande importância dada à observância do Sábado no momento de sua escrita.

Mais significativo ainda é o testemunho do Novo Testamento ao novo entendimento cristão da observância do Sábado, ou seja, um dia “para fazer o bem” (Mateus 12:12), “salvar” (Marcos 3:4), “libertar” da escravidão física e espiritual (Lucas 13:16), e mostrar “misericórdia” em vez de religiosidade (Mateus 12:7). Esta nova interpretação cristã indica que a Igreja Apostólica observou o Sábado, mas com um novo significado e de uma nova maneira.